Canetas emagrecedoras já mudam consumo em bares e restaurantes
Levantamento mostra que 61% dos empresários já percebem mudanças; porções menores, pratos compartilhados e queda nas sobremesas estão entre os efeitos

As chamadas canetas emagrecedoras já começam a mudar o consumo em bares e restaurantes. Levantamento da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) mostra que 61% dos empresários do setor perceberam alterações associadas ao uso desses medicamentos.
Entre os estabelecimentos que identificaram mudanças, 64% registraram maior procura por porções menores e o mesmo percentual observou aumento no compartilhamento de pratos principais. No caso das sobremesas, 65% perceberam alterações no volume de pedidos, principalmente redução no consumo.
O movimento ganha força com o avanço do próprio mercado desses medicamentos. As vendas de produtos à base de semaglutida e tirzepatida cresceram 23,2% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) levantados pela Fiquem Sabendo, organização especializada no acesso a informações públicas, e analisados pela Abrasel.
Para Ricardo Sampaio, presidente do SINHORES (Sindicato Patronal dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares), a mudança exige atenção dos empresários porque pode alterar a composição dos pedidos, mesmo sem necessariamente afastar o consumidor dos estabelecimentos.
“O cliente não necessariamente deixa de frequentar bares e restaurantes, mas passa a consumir de outra maneira. Para o empresário, o desafio é perceber essa mudança e entender se ela já justifica ajustes no cardápio e no tamanho das porções”, afirma.
MENOS CONSUMO EXIGE NOVOS FORMATOS
A mudança também pode chegar ao caixa. Segundo a Abrasel, quatro em cada dez empresários ainda não conseguiram compensar a redução do volume consumido por cliente. Entre as estratégias adotadas estão a criação de combos ou menus estruturados, citada por 26% dos estabelecimentos, ações para estimular maior frequência dos clientes, com 22%, e a oferta de itens de maior valor agregado, com 21%.
A adaptação, porém, não se resume a reduzir o tamanho dos pratos. Custos com mão de obra, aluguel, energia e estrutura permanecem mesmo quando o cliente consome uma quantidade menor de comida.
“Quando o cliente divide mais pratos, pede porções menores ou deixa de consumir uma sobremesa, isso pode ter reflexo no tíquete médio. Mas a resposta não passa simplesmente por aumentar preços. É preciso olhar para o cardápio, os custos e as novas escolhas do consumidor”, explica Sampaio.
As bebidas também entram nessa transformação. Entre os empresários que perceberam mudanças relacionadas ao uso das canetas emagrecedoras, 53% registraram aumento na procura por opções não alcoólicas.
MUDANÇA AINDA É GRADUAL
Porções menores e pratos para compartilhar podem ganhar espaço, mas as adaptações dependem do perfil e do público de cada negócio. Para os estabelecimentos, o momento é de acompanhar os pedidos antes de promover mudanças maiores no cardápio ou na operação.
A tendência ainda ocorre de forma gradual. O desafio para o setor é identificar quais novos hábitos vão permanecer e como responder a eles sem comprometer a experiência do consumidor e a sustentabilidade do negócio.
SINHORES
Com 40 anos de atuação, o Sindicato dos hotéis, restaurantes, bares e similares de São José dos Campos e região (SINHORES) tem como missão representar o segmento na área de hospedagem e alimentação, além de fortalecer ações que gerem novos negócios no setor, contribuindo tanto para o desenvolvimento das empresas atendidas como para a economia das 18 cidades que abrange.
O Sindicato Patronal oferece serviços como assessoria jurídica, qualificação profissional, banco de empregos, parcerias com empresas de diversos setores da economia, além de viabilizar a participação em congressos, feiras e palestras com o objetivo de possibilitar o desenvolvimento profissional e pessoal dos seus contribuintes. Para mais informações acesse: www.sinhores.com.br



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