Custo da construção aumenta e empresas investem em tecnologia para evitar prejuízos

Startup cria soluções para otimizar processos na construção civil e evitar prejuízos financeiros


O custo da construção civil no país aumentou 1,21% em abril em comparação ao mês anterior. É a maior taxa de inflação mensal registrada desde agosto do ano passado, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com esse resultado, o índice nacional do setor acumula altas de preços de 3,52% no ano e de 15% em 12 meses.


Segundo a pesquisa, o custo nacional da construção passou a ser R$ 1.567,76 por metro quadrado, em abril. Já os materiais de construção tiveram inflação de 1,86% no mês e passaram a custar R$ 944,49 por metro quadrado. A mão de obra subiu 0,24% e ficou em R$ 623,27.


Diante desse cenário, construtoras e empresas do setor têm investido em tecnologias para a automação das atividades operacionais e otimização dos processos, com uma comunicação entre o canteiro de obra e o escritório mais assertiva a fim de evitar que problemas não se tornem grandes prejuízos financeiros ou atrasos no cronograma de empreendimentos.


“A tecnologia traz um certo nível de automação sobre as atividades operacionais. Isso impacta positivamente os agentes ligados a ela. Por exemplo: nosso processo de cotação e compras está integrado com o financeiro, as entregas de EPI já se transformam em recursos apropriados à obra, entre várias outras. Tudo isso faz com que processos operacionais e repetitivos se tornem mais diretos. No geral, essas automações geram pelo menos 30% de economia diária em atividades operacionais”, explicou Rafael Souza, fundador da Brickup.

Segundo Souza, gerenciar uma obra requer muito jogo de cintura, pois as necessidades surgem ou mudam a todo instante e a partir do momento que uma mudança pode ser documentada no canteiro de obra, essa informação escala a nível de planejamento e controle. Com isso, os profissionais ligados no processo podem reajustar as engrenagens para tentar recuperar o controle da obra.


“Quando uma construtora não tem uma solução que proporciona essa interação entre canteiro de obra e escritório, as informações demoram a chegar e consequentemente o timing para ajustar essas engrenagens é perdido. É a partir desse momento que uma obra começa a atrasar e os prejuízos começam a aparecer, tornando o custo da obra mais caro”, afirmou.


O grande benefício das soluções apresentadas é poder interpretar, de maneira fácil e objetiva, os indicadores apontando se uma determinada atividade está atrasada, se o fornecedor atrasou a entrega ou se algum retrabalho está sendo feito. A partir dessas análises pode-se tomar uma decisão de replanejamento ou realocação de recursos sem gerar prejuízos.


“As informações obtidas nos canteiros de obras estão hoje em grupos de WhatsApp ou anotadas em pranchetas. Até essa informação chegar ao profissional responsável, ser processada e virar relatório leva muito tempo, isso se a informação chegar. Na Brickup, disponibilizamos um aplicativo que funciona offline e permite a coleta de dados no local da obra e automaticamente esses dados são processados e transformados em relatórios para análise”, afirmou.

Fornecedores

Uma automação existente interessante é no processo de procurement. Quando um usuário da plataforma Brickup cria uma lista de materiais que precisa comprar e a coloca em concorrência, fornecedores que estão homologados na plataforma recebem um alerta no e-mail com essa solicitação, com acesso a lista e a possibilidade de passar um orçamento.


“Assim o construtor economiza tempo na cotação. Adiante, ao escolher com qual fornecedor ele vai fazer negócio, ele consegue transformar a cotação em uma ordem de compra, que por sua vez ao ser concluída será integrada ao canteiro de obras como recurso apropriado e também ao financeiro como despesa de compra de materiais. Esse processo, que antes necessitava de várias planilhas e pessoas, pode ser feito por apenas um profissional em pouquíssimo tempo e com maior assertividade”, finalizou.

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