Pesquisa revela que maioria dos brasileiros admite saber pouco ou nada sobre educação financeira
- 18 de fev.
- 3 min de leitura
Falta de conhecimento prático sobre finanças pessoais impacta decisões
de crédito, endividamento e hábitos de poupança

Mesmo reconhecendo a importância de cuidar do dinheiro e acompanhar gastos, a maioria dos brasileiros ainda enfrenta dificuldades para compreender conceitos básicos de educação financeira. É o que aponta a 17ª edição da pesquisa Observatório Febraban, que mostra que 55% da população admite saber pouco ou nada sobre o tema, evidenciando uma lacuna significativa entre a percepção de relevância e o conhecimento prático sobre finanças pessoais.
De acordo com o levantamento, 40% dos brasileiros afirmam entender pouco e 15% dizem não entender nada de educação financeira. Ainda assim, o tema é amplamente reconhecido como relevante: 55% dos entrevistados afirmam ter muita atenção com o acompanhamento e o controle das finanças pessoais, enquanto 20% dizem ter alguma atenção, o que reforça o contraste entre a valorização do tema e a dificuldade em aplicar conceitos financeiros no dia a dia.
O estudo traça ainda um panorama do comportamento financeiro dos brasileiros, abordando questões como endividamento, uso do crédito, hábitos de poupança e investimento, fatores que impactam diretamente o cotidiano das famílias e a saúde financeira no longo prazo.
Para Thiago Rodrigues, especialista da área de Negócios da Sicoob Coopmil, esse cenário está diretamente ligado a questões estruturais e culturais. “A educação financeira historicamente não fez parte do ensino formal no Brasil. Para muitas pessoas, o primeiro contato com o tema acontece apenas na vida adulta e, geralmente, em momentos de dificuldade financeira”, explica. Segundo ele, ainda existe a percepção de que finanças é um assunto complexo ou restrito a quem tem renda alta, o que afasta grande parte da população.
Embora muitos brasileiros reconheçam que educação financeira é importante, transformar essa consciência em prática ainda é um desafio. “Saber que é importante se organizar é diferente de compreender, de fato, como fazer isso. Entender conceitos como planejamento financeiro, juros, crédito, poupança e investimentos é o que permite aplicar esse conhecimento no dia a dia”, afirma Rodrigues.
Entre os equívocos mais comuns, o especialista destaca a ideia de que educação financeira se resume a investir ou enriquecer rapidamente. “Outro erro recorrente é pensar que só quem ganha muito pode se planejar financeiramente. Na prática, educação financeira tem mais a ver com escolhas conscientes do que com abrir mão de qualidade de vida”, pontua.
A falta de conhecimento financeiro, segundo ele, influencia diretamente comportamentos como o uso excessivo do crédito e o aumento do endividamento. “Sem entender juros e prazos, muitas pessoas recorrem ao parcelamento constante, ao rotativo do cartão de crédito ou a empréstimos sem planejamento. Isso gera um ciclo de dívidas, estresse financeiro e dificuldade para poupar ou investir”, alerta.
Apesar do cenário desafiador, Thiago Rodrigues reforça que pequenas mudanças podem gerar impactos positivos. “Anotar receitas e despesas, criar um orçamento mensal realista, evitar compras por impulso, usar o crédito com consciência e priorizar uma reserva de emergência são práticas simples, mas muito eficazes”, orienta. Ele também destaca a importância de buscar informações em fontes confiáveis e acessíveis.
Nesse contexto, iniciativas de educação financeira promovidas por instituições financeiras, cooperativas, escolas e até de forma individual ganham relevância. “Quando o tema é desmistificado e apresentado de forma prática, as pessoas passam a ter mais autonomia, reduzem o estresse financeiro e tomam decisões mais seguras. A educação financeira contínua é essencial para promover bem-estar e estabilidade ao longo do tempo”, conclui o especialista.
Com a chegada de 2026, o desafio permanece: ampliar o acesso ao conhecimento financeiro e transformar a relação dos brasileiros com o dinheiro, tornando-a mais consciente, equilibrada e sustentável.
SICOOB COOPMIL
Fundada em 1989 por policiais militares paulistas, a Sicoob Coopmil nasceu do ideal de promover o bem-estar da família policial por meio do cooperativismo financeiro. Hoje, com livre adesão e com mais de 28 mil cooperados, a cooperativa oferece uma variedade de serviços financeiros, como contas correntes, seguros, investimentos, crédito, consórcios, além de serviços digitais e de atendimento, como o aplicativo Sicoob. Para mais informações, acesse: www.sicoob.com.br/web/sicoobcoopmil/para-voce



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