40% dos investidores já resgataram aplicações para pagar dívidas, aponta Serasa
- há 23 horas
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Especialista explica quando vale usar investimentos para quitar débitos e por que a reserva de emergência pode evitar a venda de ativos no momento errado

Quatro em cada dez brasileiros que possuem investimentos já precisaram resgatar aplicações para pagar dívidas, segundo pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box. O levantamento mostra ainda que 32% dos brasileiros têm algum tipo de investimento e, entre aqueles que já fizeram resgates, 52% apontaram a necessidade imediata de dinheiro como principal motivo.
O cenário mostra que, para parte dos investidores, manter o dinheiro aplicado pode ser tão desafiador quanto começar a investir. No entanto, embora o resgate possa interromper planos de médio e longo prazo, usar o dinheiro investido para quitar uma dívida nem sempre é uma decisão ruim. Em alguns casos, a escolha pode até ser financeiramente vantajosa. Para Bruno Moura, assessor de investimentos e sócio da TIR Investimentos, o primeiro passo é comparar o custo efetivo da dívida com o retorno líquido esperado do investimento.
“Se uma pessoa possui uma dívida que custa 2% ao mês, estamos falando de aproximadamente 26,8% ao ano. Se mantém um investimento que rende 12% ou 14% ao ano, financeiramente há pouca justificativa para manter os dois”, afirma Bruno.
Segundo ele, a lógica considera que o juro que deixa de ser pago é um ganho certo, enquanto a rentabilidade futura de muitos investimentos não é garantida. “Por isso, antes de resgatar uma aplicação, o investidor deve avaliar o Custo Efetivo Total (CET) da dívida, a rentabilidade líquida do investimento após impostos e custos, a liquidez da aplicação, possíveis perdas ou penalidades no resgate e quanto de dinheiro continuará disponível depois da quitação”, completa.
DÍVIDAS MAIS CARAS PRIMEIRO
A prioridade, segundo Moura, deve estar nas dívidas de maior custo efetivo e não necessariamente nas de maior valor. Cartão de crédito, rotativo, cheque especial e determinadas modalidades de crédito pessoal costumam exigir atenção justamente pelas taxas elevadas.
Em uma situação hipotética de uma dívida com CET de 25% ao ano e um investimento com retorno esperado de 13% ao ano, por exemplo, a matemática favorece a quitação do débito. “Nesse cenário, manter o investimento enquanto se paga 25% na dívida significa, economicamente, financiar uma aplicação de 13% com dinheiro que custa 25%”, explica o especialista.
Por outro lado, a decisão pode ser diferente quando se trata de uma dívida com custo mais baixo. Um financiamento imobiliário, por exemplo, pode ter uma taxa próxima ou inferior ao retorno líquido esperado da carteira. Se as parcelas também estiverem confortáveis no orçamento, a quitação antecipada deixa de ser uma escolha tão evidente. Além da comparação entre taxas, o fluxo de caixa também precisa ser considerado. “Usar investimentos para eliminar uma dívida pode ser financeiramente correto e, ainda assim, deixar a família vulnerável se o resgate consumir praticamente toda a reserva disponível”, aponta.
RESERVA EVITA RESGATES NO PIOR MOMENTO
A falta de uma reserva de emergência também pode obrigar o investidor a vender aplicações de longo prazo diante de um imprevisto. Para Moura, uma carteira bem estruturada precisa considerar uma função diferente para cada parcela do patrimônio. O dinheiro destinado a emergências deve priorizar liquidez, segurança e previsibilidade, enquanto os recursos que não serão necessários no curto prazo podem assumir horizontes mais longos e diferentes níveis de risco.
Como referência, uma reserva equivalente a cerca de seis meses das despesas essenciais pode ser um ponto de partida. O período, porém, deve considerar a estabilidade da renda e o perfil de cada família: profissionais com renda previsível podem trabalhar com algo entre três e seis meses, enquanto empresários, autônomos e pessoas com rendimentos mais variáveis podem precisar de seis, nove ou até 12 meses. Uma família com despesas essenciais de R$ 15 mil por mês, por exemplo, teria uma referência de R$ 90 mil para uma reserva de seis meses.
“A reserva de emergência não existe para maximizar retorno. Ela existe, inclusive, para proteger os investimentos que buscam retorno”, afirma Moura.
A lógica é evitar que uma despesa inesperada obrigue o investidor a vender ações, fundos ou títulos de longo prazo em um momento desfavorável. A liquidez, nesse caso, funciona como uma camada de proteção para que o restante da carteira possa permanecer investido.
DEPOIS DA DÍVIDA, RECONSTRUIR ANTES DE VOLTAR A ACELERAR
Quitar uma dívida cara é apenas uma etapa da reorganização financeira. Segundo o especialista, depois do resgate, o investidor precisa evitar que o mesmo problema volte a acontecer. “Antes de buscar a maior rentabilidade possível, o investidor precisa construir uma estrutura financeira que permita permanecer investido”, afirma Moura.
A estratégia, segundo ele, deve considerar conjuntamente dívidas, fluxo de caixa, reserva de emergência, horizonte de investimento e objetivos financeiros.
“Uma boa carteira não é simplesmente aquela que possui os melhores produtos. É aquela em que existe coerência entre dívidas, fluxo de caixa, reserva de emergência, horizonte de investimento e objetivos financeiros. É essa estrutura que reduz a chance de o investidor precisar vender bons ativos no momento errado”, conclui.
TIR INVESTIMENTOS
A TIR Investimentos é uma empresa de assessoria de investimentos com sociedade composta por André Belisário, Bruno Moura, Jorge Cantarelli Filho e Leonardo Martins, profissionais com décadas de experiência no sistema financeiro tradicional que decidiram construir um modelo baseado em transparência, método e alinhamento com os interesses dos clientes. A empresa atua como assessoria de investimentos, tendo o BTG Pactual como instituição contratante, e atende pessoas físicas e jurídicas no mercado nacional e internacional, desenvolvendo estratégias personalizadas a partir de diagnóstico patrimonial e acompanhamento contínuo.
Com uma abordagem de gestão patrimonial 360°, a TIR integra investimentos, planejamento tributário, proteção patrimonial, sucessão e aposentadoria em uma estratégia única voltada a investidores, empresários e famílias com visão de longo prazo. A empresa está localizada em São José dos Campos, na Avenida Cassiano Ricardo, no Parque Residencial Aquarius, Edifício Hyde Park, sala 901. Para mais informações entre em contato pelo telefone: (12) 99614-1518, Instagram: @tir_invest ou site: www.tirinvestimentos.com.br


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