Levantamento mostra que 42% dos inadimplentes em 2026 já tinham dívidas há uma década
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Número de brasileiros com contas em atraso cresceu 38,1% nos últimos 10 anos; especialista aponta uso recorrente de crédito e falta de planejamento como fatores centrais da reincidência

Um levantamento da Serasa mostra que 42% dos brasileiros inadimplentes em 2026 já estavam com o nome negativado há dez anos, evidenciando um cenário de reincidência persistente no país. O dado faz parte dos 10 anos do Mapa da Inadimplência e surge em meio ao avanço contínuo do endividamento da população brasileira.
Ao longo da última década, o número de consumidores com dívidas em atraso cresceu 38,1%, chegando a 81,7 milhões de inadimplentes em 2026. O volume de dívidas ativas também aumentou no período, alcançando mais de 332 milhões de débitos, alta de 43% em relação a 2016. Já a dívida média por consumidor passou de R$ 5.880 para R$ 6.598, em valores corrigidos pela inflação.
Para Claudiner Sanches Junior, assessor de investimentos da WFlow Investimentos, o levantamento mostra que grande parte da população consegue renegociar dívidas, mas não altera os fatores que levaram ao endividamento.
“Muita gente até consegue quitar ou renegociar uma dívida, mas não corrige a causa do problema. Sem controle financeiro, reserva de emergência e mudança no uso do crédito, qualquer imprevisto acaba levando a pessoa de volta para a inadimplência”, explica.
Segundo o especialista, o avanço do custo de vida e a pressão sobre a renda das famílias contribuíram para tornar o crédito uma extensão do orçamento doméstico. “Isso cria um endividamento que se torna difícil de sustentar ao longo do tempo, principalmente em cenários de juros elevados”, afirma.
IMPACTOS NO CONSUMO
Além dos impactos individuais, o endividamento recorrente também afeta diretamente a economia e o consumo das famílias.
“Famílias muito endividadas reduzem consumo, priorizam pagamento de dívidas e perdem capacidade de planejamento financeiro. Isso acaba impactando a atividade econômica como um todo”, destaca Claudiner.
Na avaliação do especialista, sair da inadimplência exige mais do que renegociar débitos. O processo passa por mudança de comportamento financeiro e reorganização do orçamento doméstico. “O primeiro passo é entender exatamente quanto se ganha, quanto se gasta e quanto se deve. Sem esse diagnóstico, não existe plano possível”, orienta.
Ainda segundo Claudiner, depois dessa etapa, é importante priorizar dívidas com juros mais altos e buscar renegociações compatíveis com a realidade financeira da família. “Não adianta assumir parcelas que não cabem no orçamento apenas para resolver o problema no curto prazo. A recuperação sustentável acontece quando existe planejamento, construção de reserva e menor dependência de crédito”, conclui.
WFLOW
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